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Mãos de vindimador a segurar uma caixa de uvas tintas maduras nos socalcos do Douro ao fim da tarde

Vindima 2026: o ano em que setembro virou tudo do avesso

4 min de leitura Vinogrande

Notícias · Vindima 2026

Por Vinogrande · 6 min de leitura

Começou mais cedo do que é habitual, prometia um ano excecional e acabou numa corrida contra o calor. O que já se sabe sobre a vindima de 2026 em Portugal.

Todos os anos, entre agosto e outubro, o país vitícola vive o mesmo frenesim: tesouras, caixas, tratores nos socalcos, lagares cheios. Em 2026 esse calendário mudou. A vindima arrancou mais cedo do que é habitual em várias regiões e terminou marcada por um setembro de calor extremo. Agora que as últimas uvas entraram nas adegas, começam a chegar os primeiros balanços.

Reunimos o que dizem as fontes oficiais e os produtores. Sem números inventados: tudo o que aqui está tem fonte, listada no fim do artigo.

Em resumo

— O IVV previa cerca de 6,7 milhões de hectolitros, mais 12% do que em 2025/2026, mas ainda 4% abaixo da média das últimas cinco campanhas.

— A previsão apontava para aumentos de 25% no Douro e 15% no Alentejo, na Península de Setúbal e em Trás-os-Montes; nos Açores, uma quebra de 20%.

— No Douro, a ADVID registou uma vindima cerca de oito dias antecipada e produtividade em linha com a média histórica.

— A Symington fala de vinhos concentrados e de cor intensa, com qualidade globalmente acima da média.

Os números

A previsão do IVV

Em agosto, o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) estimou que a campanha 2026/2027 chegasse a cerca de 6,7 milhões de hectolitros, mais 12% do que na campanha anterior. Mesmo assim, ficaria cerca de 4% abaixo da média dos últimos cinco anos, depois de uma vindima de 2025 muito curta.

Região Previsão face a 2025/2026
Douro +25%
Alentejo +15%
Península de Setúbal +15%
Trás-os-Montes +15%
Beira Interior sem variação
Távora-Varosa sem variação
Açores -20%

Segundo o IVV, um inverno e uma primavera com chuva suficiente deram boas reservas de água e a pressão de doenças foi reduzida na generalidade das vinhas. Nos Açores, a quebra prevista deve-se à pressão de doenças fúngicas.

O Douro

Uma vindima em duas partes

No Douro, a ADVID (Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense) publicou a 22 de outubro o balanço final do ano. Temperaturas sistematicamente acima da média anteciparam a vindima em cerca de oito dias face ao histórico. Nas parcelas que acompanha, a produtividade média foi de 1,76 kg por videira, em linha com a média, e o peso médio do cacho subiu 7%. As análises mostraram mais álcool provável, pH mais alto e menos acidez total. Ainda assim, a ADVID conclui que 2026 tem potencial para vinhos de elevada qualidade.

A Symington Family Estates descreve o ano como «um jogo de duas partes». Começou a vindimar uvas brancas a 17 de agosto, uma semana mais cedo do que em qualquer ano anterior. As primeiras semanas prometiam um ano excecional. Depois veio, nas palavras do enólogo-chefe Charles Symington, «o setembro mais quente de que há registo em Portugal desde 1931», com uvas a desidratar na videira e graus Baumé por vezes acima de 15º nos lagares.

«Os vinhos trazem a marca daquele setembro quente e seco, na sua concentração e cor.» Charles Symington

O resultado, segundo o mesmo relatório: produção próxima da média e vinhos com concentração e cor extraordinárias, de qualidade globalmente acima da média.

De norte a sul

Alentejo e Vinho Verde

No mesmo relatório, a Symington conta que na Quinta da Fonte Souto, em Portalegre, a vindima começou a 3 de agosto, a mais precoce de sempre na propriedade, e que o calor de setembro reduziu bastante a produção de tintos. Em Monção e Melgaço, na Casa de Rodas, o corte do Alvarinho arrancou a 24 de agosto, com três semanas de antecedência, e as uvas chegaram em excelente estado sanitário.

E agora?

O que isto significa para quem bebe

Os vinhos de 2026 ainda estão a fermentar ou a estagiar. Os primeiros brancos e rosés devem chegar ao mercado a partir de 2027; os tintos de guarda e os Portos demoram mais. Até lá, é um bom momento para conhecer colheitas que já estão prontas a beber, das mesmas regiões:

Garrafa de Pó de Poeira Tinto 2022

01

Pó de Poeira Tinto 2022

Douro: Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão.

16,90 €

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Garrafa de Quinta do Pessegueiro Reserva Tinto 2023

02

Quinta do Pessegueiro Reserva Tinto 2023

Douro: Touriga Nacional e Touriga Franca.

17,80 €

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Garrafa de Kopke São Luiz Reserva Tinto 2022

03

Kopke São Luiz Reserva Tinto 2022

Douro: um clássico de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinto Cão.

14,90 €

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Garrafa de Alento Reserva Tinto 2022

04

Alento Reserva Tinto 2022

Alentejo: Alicante Bouschet, Syrah, Tinta Roriz e Touriga Nacional.

15,85 €

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Garrafa de Quinta de Santiago Alvarinho 2025

05

Quinta de Santiago Alvarinho 2025

Monção e Melgaço: Alvarinho da colheita anterior, 2025.

13,70 €

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Garrafa de Quinta do Pessegueiro Porto Vintage 2021

06

Quinta do Pessegueiro Porto Vintage 2021

Um Porto Vintage para guardar enquanto se espera pelos de 2026.

54,80 €

Ver →

Mais vinhos em Douro e Alentejo.

Perguntas frequentes

O que mais nos perguntam

A vindima 2026 foi boa em Portugal?

Os primeiros balanços apontam para qualidade elevada, sobretudo no Douro, apesar do calor de setembro. A produção final só será conhecida quando forem fechadas as declarações de colheita.

Quando chegam ao mercado os vinhos de 2026?

Os brancos e rosés mais jovens costumam chegar no ano seguinte à vindima. Tintos de guarda e Portos demoram mais tempo.

Haverá Porto Vintage 2026?

Ainda é cedo. Cada casa decide se declara um Vintage, normalmente na primavera do segundo ano após a vindima.

✦

A vindima de 2026 já está nas adegas. Enquanto espera por ela, prove os anos que já estão prontos.

Ver Vinhos do Douro

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